
Um grupo de católicos lançou uma carta aberta a apelar ao voto em António José Seguro nas próximas eleições. Aqui Eugénio da Fonseca*, um dos signatários da carta explica porquê, bastante na linha da nota publicada pela Comissão Nacional de Justiça e Paz.
Nas minhas redes sociais vejo que a carta-aberta está a dividir opiniões. É natural que sim. Vejo também que muitos dos que aplaudem a carta são os que normalmente ficam indignados quando os católicos, qua católicos, se envolvem em assuntos políticos. Acho isso interessante, embora em nada belisque a opinião expressa pelos autores da carta.
Quem me acompanha por aqui ou nas redes sociais saberá o que eu acho sobre um dos candidatos à presidência, em particular, e sobre o seu partido. Poderão, por isso, achar estranho que eu não tenha manifestado a minha opinião sobre estas eleições. Mas a razão é simples. Desde os meus 14 anos que sou monárquico. Já fui mais militante do que sou agora, mas as convicções mantêm-se. Acho que a República é um sistema mau para Portugal – como se comprova, para mim, pela actual escolha posta aos eleitores – e por isso recuso-me a tomar parte nestas eleições. Nunca votei numas presidenciais, nem tenciono fazê-lo. E por isso, apesar de ter as minhas opiniões sobre os candidatos, não me acho no direito de estar a sugerir a outros em quem devem votar.
Por fim, ainda a respeito deste tema, a COPIC, que representa as principais igrejas protestantes em Portugal, emitiu este comunicado apelando ao voto, elencando alguns critérios, mas não dizendo em quem se deve votar.
Espanha continua em estado de choque com a tragédia do descarrilamento de comboios que matou quase meia-centena de pessoas. Mas esta tragédia não trouxe união, como por vezes acontece. Desde o choque pelo facto de padres terem sido impedidos de ir prestar socorro espiritual às vítimas, a familiares dos mortos a recusar participar em cerimónias seculares de homenagem, dizendo que “Huelva é terra mariana”.
A primeira mulher a chefiar a Igreja Anglicana já tomou posse. Sobre Sarah Mullally já discorri antes, aqui.
Já vimos que nos EUA há bispos a recordar aos militares que é legítimo desobedecer a ordens injustas. O cenário nesse caso – uma hipotética invasão da Groenlândia – parece pouco provável, mas no Sudão do Sul aconteceu o mesmo, e lá é uma situação muito mais real.
Mas que o cheiro a guerra anda no ar no ocidente, isso anda, e é preocupante. É também o tema do artigo desta semana do The Catholic Thing.
Deixo-vos com esta proposta que me chega de Setúbal, onde se estão a organizar conferências em preparação da caminhada pela Vida. Se estiverem por perto, não deixem de comparecer!
*Por lapso, no email original da Actualidade Religiosa, Eugénio da Fonseca era identificado como um dos promotores da carta aberta. Na verdade, este seu artigo surgiu antes da carta aberta.