
O Papa recebeu recentemente em audiência a nova arcebispa de Cantuária, que foi a Roma em peregrinação. Este facto gerou enorme discussão e polémica, que gostaria de abordar de forma muito sumária. O Papa é um senhor e um cavalheiro, e presume-se que a maioria dos clérigos que trabalham no Vaticano também o sejam. Goste-se ou não, Sarah Mullally é a líder espiritual da Igreja de Inglaterra e primaz da Comunhão Anglicana. Existe a tradição, na Santa Sé, de tratar os líderes religiosos de outras confissões com respeito e tratando-os pelo título que usam nessas confissões. Juntando estas premissas percebe-se que é claro que o Papa recebeu Mullally em audiência, nem poderia fazer de outro modo; que o facto de a ter recebido não implica o reconhecimento das ordens anglicanas, menos ainda do sacerdócio ou episcopado feminino e, por fim, que toda a gente que teve uma arritmia com este “caso” tem urgentemente que procurar um passatempo para aliviar o stress.
Se querem preocupar-se com problemas a sério, então leiam este artigo que resultou de uma conversa com um bispo do Sudão do Sul. Imaginem estar a estudar em Roma e serem nomeados bispo da diocese onde cresceram. Regressam para descobrir que tudo, literalmente tudo, foi destruído durante a guerra civil. Tudo. O bispo Stephen Nyodho passou os últimos anos a reconstruir. Primeiro relações, depois infraestrutura.
Escrevi também uma série de artigos para a revista World Mission Magazine, dos Combonianos da Ásia, sobre liberdade religiosa. O primeiro trata da liberdade religiosa no mundo, o segundo da Ásia em geral e o terceiro olha especificamente para a China.
Há alguns anos visitei um país que já não existe. Nagorno-Karabakh era um enclave arménio no Azerbaijão, autoproclamado independente, mas não reconhecido por mais ninguém. Estive nas trincheiras e ouvi militares e civis a garantir-me que jamais deixariam de lutar pelo território que o Azerbaijão reclama. Se os azeris entrassem ali, garantiam, apagariam milhares de anos de herança histórica. Mas os azeris entraram mesmo, há um par de anos, levando os arménios a fugir. Agora tivemos confirmação de que os azeris começaram de facto a destruir a herança dos arménios. O que é que isto tem a ver com o Vaticano? Surpreendentemente, até tem, porque o Vaticano tornou-se nos últimos anos um parceiro cultural do Azerbaijão.
Há poucas semanas publiquei um vídeo sobre a morte do Patriarca da Geórgia. Está em processo a eleição do seu sucessor. Saiba quem são os candidatos.