
O futebol é uma actividade que move grandes paixões, capaz de unir e de dividir, de motivar o mais irracional que há em nós e de levar a grandes emoções mas também a grandes desgostos.
A religião é um fenómeno que também move paixões e embora o Cristianismo entenda que a religião não possa ser irracional, todos podemos concordar que há muito de irracional na religião, que também pode ser usada para justificar guerras e atrocidades, bem como inspirar grandes actos de caridade e de beleza.
Portanto o que é que poderia correr mal juntando os dois?
Neste post, que irei actualizando, juntarei informação sobre curiosidades religiosas dos países participantes e acompanharei o mundial dos santos padroeiros.
30. O Anjo de Portugal

Antes de Nossa Senhora aparecer aos pastorinhos em Fátima, em 1917, foi precedida por uma figura que se apresentou como o Anjo da Paz e o Anjo de Portugal. A ideia de que Portugal tem um anjo da guarda, que é também seu padroeiro, não é nova. No Século XVI o Rei D. Manuel pediu ao Papa para instituir uma festa dedicada ao Anjo da Guarda de Portugal, a que Júlio II acedeu. A festa foi instituída no calendário litúrgico em 1952 para 10 de Junho, dia de Portugal.
O Anjo de Portugal é, por isso, um dos padroeiros do país, juntamente com Nossa Senhora da Conceição e São Jorge.
Em vários locais lê-se que Portugal é o único país que tem um anjo como padroeiro, mas isso não é verdade. São Miguel é o padroeiro da Ucrânia e dos alemães (o que é diferente de ser padroeiro da Alemanha, mas vá…) e São Rafael é padroeiro do povo brasileiro (idem).
Depois do empate com a RD do Congo, que deixou os portugueses muito desiludidos, será que o Anjo de Portugal vai zelar pela equipa hoje contra o Uzbequistão?
29. Os sete mártires de Tibhirine

Hoje realiza-se o primeiro jogo entre dois países maioritariamente islâmicos neste Mundial. Na primeira jornada os países muçulmanos tiveram apenas uma vitória, pela Costa do Marfim, embora tenham tido também alguns empates de valor. O cenário melhorou, entretanto, com vitórias do Egipto e de Marrocos. Logo à noite jogam mais quatro selecções de países muçulmanos: o Iraque terá vida muito difícil contra França, idem o Senegal com a Noruega, mas mais tarde jogam Argélia contra a Jordânia.
É por isso um bom dia para falar dos Mártires de Tibhirine, um grupo de monges trapistas franceses que foram raptados e depois assassinados na Argélia, alegadamente por fundamentalistas islâmicos.
Apesar disso, eles permanecem figuras indissociáveis do diálogo com o Islão e do profundo amor pelo povo islâmico que serviram, ao ponto de optar por permanecer em Tibhirine apesar de saberem dos riscos. Amavam a Argélia e os argelinos, e certamente ficariam felizes por ver a Argélia no mundial.
Da parte da Jordânia, destaque para os dois jogadores cristãos desta selecção, incluindo o capitão Ihsan Haddad e o avançado Odeh Al-Fakhouri.
28. Um pelotão de santos por Cabo Verde

Já falámos da padroeira oficial de Cabo Verde, Nossa Senhora da Assunção. Mas o Arquipélago tem na verdade um pequeno pelotão de santos a apoiar.
Cabo Verde tem dez ilhas, das quais uma não é habitada.
Das dez, cinco ostentam nomes de santos. Santiago, Santo Antão, São Nicolau, Santa Luzia e São Vicente. A ilha do Fogo chamava-se, inicialmente, São Filipe, a da Boa Vista era São Cristóvão e a Ilha Brava era São João. Conta ainda com o ilheu de Santa Maria.
Todas, excepto Santiago e o ilheu de Santa Maria, ficaram com os nomes dos santos do calendário litúrgico correspondente ao dia em que foram avistadas.
Os jogadores cabo-verdianos tem assim todo um pelotão de santos a zelar por eles. Vamos ver como lhes corre o jogo contra o Uruguai, esta noite.
27. Japão vai passar? É justo!

A semana passada falei de São Paulo Miki, japonês convertido e mártir. Mas hoje vou falar de outro japonês, que ainda não é santo, mas é beato, e muito mais fixe que isso, é samurai.
Sim, Justo Takayama era um aristocrata japonês, numa altura em que muitos nipónicos, incluindo alguns da alta nobreza, se converteram ao catolicismo. Foi baptizado aos 12 anos mas depois andou distante da fé, concentrando-se mais em ganhar nome e fama como guerreiro samurai, até que aos 20 anos tomou a decisão de se comprometer mais com Cristo.
Continuou a servir o seu senhor enquanto soldado, mas quando começou uma nova campanha contra a Igreja, e os samurais receberam todos ordem para renunciar à fé, Justo Takayama foi dos poucos que recusou.
Por isso, perdeu tudo. Título, riqueza, estatuto e até a pátria. Foi exilado para as Filipinas, onde foi recebido com honras pelos espanhóis. Mas recusou receber uma pensão e acabou por morrer na pobreza menos de dois meses mais tarde.
Justo – o nome do seu baptismo – foi beatificado pelo Papa Francisco e está em curso o seu processo de canonização. Será que vai interceder para o Japão ganhar à Tunísia? Veremos.
26. O grande dérbi mariano: Conceição v. Assunção

À medida que fui fazendo os textos sobre o padroeiro de cada país tornou-se evidente que as mais populares são Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Assunção. Nalguns casos, elas não são a única padroeira do país, por isso escolhi outro dos existentes, para evitar repetições, mas fazendo as contas, um total de 10 países participantes no Mundial têm como padroeira uma destas invocações de Nossa Senhora.
E quem ganha o título de popularidade? Esse vai para Nossa Senhora da Conceição, com seis países – Portugal, EUA, RD Congo, Brasil, Argentina e Coreia do Sul – contra “apenas” quatro de Nossa Senhora da Assunção: França, Cabo Verde, África do Sul e Uruguai.
Ao contrário do que muitos pensam, a devoção a Nossa Senhora da Conceição nada tem a ver com o nascimento virginal de Jesus. A concepção a que se refere o nome é o da própria Nossa Senhora, que segundo a crença católica foi concebida sem pecado original. É esse o sentido do milagre, a preservação do pecado original, que permitiu a Maria dar uma resposta totalmente livre ao desafio que Deus lhe lançou.
Já a Assunção tem a ver com o facto de ela ter sido assumida em corpo e alma pelo Céu, não sendo sujeita à corrupção da morte.
Temos portanto uma invocação sobre o início da vida de Maria e outra sobre o final. Mas os dois conceitos estão intimamente ligados, pois teologicamente é o facto de Nossa Senhora não ter pecado original que a impede de morrer, pois tradicionalmente a morte natural é consequência do pecado.
Como é evidente, tratam-se de invocações diferentes da mesma pessoa, que foi a mãe de Jesus.
25. Santo André Kim Taegon – Coreia do Sul

Agora que já evocámos um santo padroeiro de cada selecção participante no Mundial, vou deixar de postar sobre cada jogo e fazer apenas um ou dois posts por dia, aprofundando alguns dados de interesse.
Hoje vou focar a Coreia do Sul, por ser a única seleção de maioria não abraâmica a vencer um jogo até agora no Mundial (a única outra é o Japão).
A principal padroeira da Coreia do Sul, como vimos a semana passada, é Nossa Senhora da Conceição, mas para evitar repetições optámos por Santo André Kim Taegon, o primeiro padre coreano.
A Coreia tem uma história única na Cristianismo. Não foi convertida por missionação estrangeira, mas sim por intelectuais coreanos que descobriram livros sobre o Cristianismo traduzidos para chinês e, lendo-os, se converteram.
Santo André Kim foi ordenado numa altura em que a Igreja era fortemente perseguida no país, mas era já católico de segunda geração, embora os seus avós se tenham convertido eventualmente também. Foi baptizado aos 15 anos e frequentou o seminário em Macau. Regressado à Coreia foi capturado, torturado e executado aos 25 anos.
Hoje a Coreia é dos países asiáticos com maior proporção de cristãos e vai receber a Jornada Mundial da Juventude em 2027.
24. Sagrado Coração de Jesus (Uzbequistão) v. Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquira (Colombia)

O Uzbequistão é possivelmente o país participante do Mundial com menos património e ligação ao Cristianismo. A população é esmagadoramente muçulmana, com pequeníssimas comunidades cristãs, e dessas a maioria ortodoxos. Embora tenha tido uma significativa presença cristã durante séculos, esta já tinha desaparecido completamente por volta do Século XV. Para além disso, ainda levou com a opressão comunista nos tempos soviéticos e hoje é um dos países participantes com um índice negativo de liberdade religiosa. A principal catedral Católica na capital, Tachkent, é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.
A padroeira da Colômbia é Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquira, A sua história nasce com a encomenda de uma imagem de NS do Rosário que foi pintada por um artista espanhol, sobre material tecido por indígenas. A imagem foi colocada numa capela húmida, e ficou irreconhecivelmente danificada. Anos mais tarde uma católica piedosa colocou-a numa capela e, segundo a tradição, a imagem restaurou-se sozinha, passando a ser considerada milagrosa.
23. São Mateus Ayariga (Gana) v. Santa Maria Antigua (Panamá)

O Gana não tem um padroeiro oficial, portanto escolhi este que será o único santo ganês oficialmente reconhecido pela Igreja. Matthew Ayariga foi raptado por jihadistas, juntamente com 20 cristãos coptas, do Egipto. Percebendo que ele não era copta, os jihadistas deram-lhe a oportunidade de se converter ao Islão e assim salvar a vida, mas ele respondeu: “O seu Deus é o meu Deus”, e foi martirizado com eles.
A Igreja Copta canonizou os 21 mártires da Líbia em conjunto e estima muito a memória e o testemunho de Matthew Ayariga. Em 2023 a Igreja Católica reconheceu oficialmente a canonização também.
A devoção a Santa Maria Antigua começou em Sevilha, no Século XIV, com uma imagem que foi descoberta na catedral, em bom estado de preservação, apesar de ser muito antiga, daí o nome. Quando os espanhóis chegaram ao que é hoje Panamá levaram com eles a devoção e fundaram Santa María la Antigua del Darién, que viria a tornar-se a primeira diocese no continente americano.
22. São Jorge (Inglaterra) v. São José (Croácia)

São Jorge é um dos santos padroeiros mais populares do mundo, embora neste mundial apenas conte com Inglaterra e Portugal, tanto quanto tenho percebido. Mas poucos países mostram a sua devoção por São Jorge tanto como Inglaterra.
São José, que também já por aqui apareceu com camisola do Canadá, foi eleito padroeiro da Croácia no Século XVII, por decisão parlamentar.
21. Nossa Senhora da Conceição (Portugal) v. Nossa Senhora da Conceição (RD Congo)

Ainda pensei usar São Jorge para Portugal, mas simplesmente não dava. Já vão ver porquê.
Embora Portugal tenha sido consagrado a Nossa Senhora da Conceição em 1646, a devoção já estava implantada entre a população. E isto vários séculos antes da proclamação oficial do dogma da Imaculada Conceição, que foi só em 1854.
Uma das maiores provas dessa devoção está na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no Século XVI. Onde? Em Mbanza Kongo, a capital do Reino do Kongo, para onde os portugueses já tinham levado a fé católica no Século XV.
Como vêem, a devoção a Nossa Senhora da Conceição no Congo deve-se aos portugueses, mas ainda assim antecede a sua proclamação oficial como Rainha de Portugal. E é por isso que eu, que odeio cachecóis divididos, hoje faço esta cedência, porque acredito que também o amor de Nossa Senhora está dividido hoje entre estas duas selecções. Felizmente tem muito amor para dar!
20. São Leopoldo III (Bélgica) v. João Baptista (Jordânia)

Leopoldo era o Margrave da Áustria, tendo vivido no Século XI. Desempenhou um papel importante no desenvolvimento da Igreja no país, fundando vários mosteiros e era conhecido como “Leopoldo o bom”.
João Baptista dispensa grandes apresentações. Primo de Jesus, precedeu-o e anunciou a sua vinda, baptizando pessoas no Rio Jordão, pelo que faz todo o sentido que seja o padroeiro da Jordânia. A Jordânia é hoje de maioria muçulmana, mas tem uma importante comunidade cristã, incluindo dois membros da selecção.
19. Nossa Senhora de Luján (Argentina) v. Nossa Senhora de África (Argélia)

Quem tem acompanhado estas publicações já percebeu que existe uma clara disputa de popularidade entre Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora da Conceição. Hei de fazer um post só sobre isso, mas hoje temos mais um para a NS da Conceição.
Parece que uma carruagem estava a fazer caminho junto ao Rio Luján quando a junta de bois simplesmente parou e recusou-se a andar mais enquanto não foi descarregada uma pequena imagem de NS da Conceição. Daí cresceu uma Basílica e uma devoção que se tornou nacional na Argentina.
Já Nossa Senhora de África é a padroeira da Argélia, onde dá nome à catedral principal em Argel, que recentemente foi visitada pelo Papa. A devoção nasceu de uma imagem produzida em França. Uma segunda foi encomendada pelo bispo de Argel em 1840 e daí a popularidade entre a pequena comunidade católica na Argélia cresceu.
A Argélia tem muito poucos cristãos, mas um património cristão imenso. Futebolisticamente, podemos dizer que Nossa Senhora de África tem um duro desafio pela frente!
18. São Tomé (Iraque) v. Rei Santo Olavo (Noruega)

O Iraque não tem um padroeiro oficial, mas o não oficial pode ser considerado São Tomé, o Apóstolo, que terá levado a fé cristã para essas paragens. O Iraque tem uma antiga tradição cristã e tinha uma minoria significativa de cristãos até 2003, altura em que começou um êxodo que fez descer a população para menos de 1%. Ainda assim, a selecção tem quatro cristãos, o que é muito significativo.
O padroeiro da Noruega é o Rei Olavo, que viveu no Século XI e, tendo-se convertido ao Cristianismo ajudou a espalhar a fé pelos países nórdicos. Foi canonizado um ano depois de morrer, pelo bispo local, e a sua santidade foi confirmada pelo Papa em 1164. É conhecido como o “Rei Perpétuo da Noruega”.
17. Santa Joana d’Arc (França) v. Nossa Senhora da Vitória (Senegal)

E não é que a principal padroeira de França também é Nossa Senhora da Assunção? Sobe para quatro, juntamente com Cabo Verde, Uruguai e África do Sul, e rivaliza com Nossa Senhora da Conceição para o lugar de Padroeira mais popular neste mundial.
Contudo, Santa Joana d’Arc é considerada uma padroeira secundária de França, portanto optei por ela. A sua história é bastante conhecida, tendo sido uma importante chefe militar – contra todos os costumes sociais da época – e muito devota a Deus.
Se França tem muitos padroeiros, o Senegal, país de maioria muçulmana, não tem nenhum oficial, mas existe grande devoção entre os católicos locais por Nossa Senhora da Vitória, o que me parece muito apropriado para um mundial de Futebol.
Com duas santas habituadas a vitórias, prevê-se um grande jogo.
16. São Maruta (Irão) v. São Pedro Chanel (Nova Zelândia)

Ora aqui estão dois santos dos quais não se ouve falar todos os dias!
São Maruta viveu no Século IV e V, no Império Persa. Era bispo e contribuiu muito para estruturar a Igreja naquela região, apesar de duras perseguições. A dada altura recolheu tantas relíquias de vítimas das perseguições, que a sua cidade passou a chamar-se Martirópolis. Morreu por volta de 420.
São Pedro Chanel nasceu em França cerca de 1400 anos depois de São Maruta morrer. Foi como missionário para a Oceania, mais especificamente para a Ilha de Futuna. Ganhou o epíteto de “o homem do bom coração” e conseguiu converter o filho de um chefe tribal. Quem não gostou foi o chefe, que o mandou matar, em 1841
15. Nossa Senhora da Arábia (Arábia Saudita) v. Nossa Senhora dos 33 (Uruguai)

A Arábia Saudita é, mais até do que o Irão, o participante neste mundial em que os cristãos têm menos liberdade. A padroeira do país é Nossa Senhora da Arábia, baseada numa imagem de Nossa Senhora do Carmelo.
Nossa Senhora dos 33 é na verdade uma imagem de Nossa Senhora da Assunção (e vão quatro países participantes com esta padroeira… Cabo Verde, África do Sul, França e Uruguai). Um bando de trinta-e-três independentistas rezou diante da imagem pelo sucesso da sua revolta e a imagem ficou associada à libertação do país.
14. São José (Bélgica) v. São Marcos (Egipto)

Esta é a segunda convocatória de São José, depois de já ter aparecido pelo Canadá. Curiosamente, foi nomeado padroeiro no Século XVII a pedido dos espanhóis que na altura dominavam o território, mas a devoção pegou e enraizou-se.
São Marcos foi o primeiro bispo de Alexandria e está muito ligado a toda a história do Cristianismo no Egipto. Embora a maioria dos egípcios sejam muçulmanos, existe uma expressiva minoria, os coptas, que são cristãos e têm grande devoção a São Marcos.
13. Santiago Maior (Espanha) v. Nossa Senhora da Assunção (Cabo Verde)

A importância de Santiago para Espanha é muito conhecida, com a tradição de que os seus restos mortais estão em Compostela, na Galiza.
Mas Santiago é também importante para os Cabo-Verdianos, uma vez que é o padroeiro da diocese de Santiago, uma de apenas duas dioceses no arquipélago.
Contudo, a padroeira de Cabo Verde é Nossa Senhora da Assunção, curiosamente a mesma que a África do Sul.
Santiago é claramente o favorito neste jogo, mas esperemos que Nossa Senhora possa inspirar os nossos irmãos cabo-verdianos!
12. São Eric, Rei da Suécia (Suécia) v. São Cipriano de Cartago (Tunísia)

Embora muitos pensem que seja Santa Brígida, na verdade o Santo Padroeiro oficial da Suécia é o Rei Eric. Reinou no Século XII e ajudou a divulgar e promover a fé cristã na Suécia, e também na Finlândia, segundo a tradição. Foi martirizado em 1160. Assistia à missa quando um bando de rebeldes chegou à Igreja. O Rei obrigou-os a esperar até ao final da celebração, depois saiu e foi aprisionado e decapitado. A tradição diz que nasceu uma fonte do local onde caiu a cabeça.
A Tunísia não tem propriamente um santo padroeiro oficial, mas São Cipriano era o padroeiro da província africana do Império Romano, que equivale à actual Tunísia, portanto faz sentido ser ele. Também foi decapitado, por ordem do imperador Valério.
Não devemos esperar muitos golos de cabeça neste jogo… E sim, eu sei que Cipriano está simplesmente a entornar cerveja por cima de si mesmo, mas ia dando cabo do programa de IA que fez a imagem, portanto deixei estar.
11. Stª Mariana de Jesus de Paredes (Ecuador) v. Nossa Senhora da Paz (Costa do Marfim)

Mariana de Jesus de Paredes, conhecida como o “Lírio de Quito” era uma mulher piedosa. Quando ficou órfã foi viver com a irmã mais velha e o cunhado, mas mostrando vontade de seguir uma vida espiritual, foi-lhe permitido viver em reclusão em sua casa. Viveu no Século XVII e foi canonizada em 1950.
Embora não haja uma padroeira oficial, a maior devoção entre a minoria católica na Costa do Marfim é a Nossa Senhora da Paz, por causa da basílica com o seu nome em Yamoussoukro.
10. São Vilibordo (Países Baixos) v. São Paulo Miki (Japão)

Os Países Baixos, pela divisão entre calvinistas e católicos, não tem um padroeiro oficial, mas entre os católicos o mais reconhecido é São Vilibordo, que evangelizou os frísios, onde é actualmente a Holanda, no Século VII e VIII. Foi ajudado na sua missão por Bonifácio, padroeiro da Alemanha.
O Japão tem mais do que um padroeiro, mas o único que é mesmo japonês é São Paulo Miki, um de muitos católicos que foi martirizado na fase inicial da Igreja naquele país.
O desafio entre estes dois santos é muito possivelmente o mais interessante da primeira jornada da fase de grupos do Mundial.
9. São Bonifácio (Alemanha) v. Santa Ana (Curaçao)

São Bonifácio era um monge inglês que evangelizou o que é hoje a Alemanha no Século VIII. Ficou conhecido como o “Apóstolo dos Germânicos” e ainda hoje há grande devoção por ele na região.
Santa Ana era a avó de Jesus, mãe de Nossa Senhora. Foi-lhe dedicada a primeira Igreja em Curaçao e a devoção que cresceu em torno dela ajudou a fortalecer o Catolicismo numa altura em que os holandeses davam pouca liberdade à Igreja.
Se Curaçao conseguir evitar uma derrota será caso para agradecer a Santa Ana e ao neto!
8. São Nicolau (Turquia) v. Santa Maria da Cruz MacKillop (Australia)

Santa Maria da Cruz McKillop é co-padroeira da Australia, juntamente com Nossa Senhora Auxiliadora. McKillop foi a primeira australiana canonizada. Trabalhou na educação e era feroz defensora das crianças que servia. Chegou a ser excomungada por “insubordinação” quando denunciou um padre abusador, mas acabou por ser justificada pelo bispo e pelo Vaticano.
Também São Nicolau, o famoso “Pai Natal”, era conhecido pela forma como protegia e cuidava de crianças, o que faz destes dois santos padroeiros um excelente par!
7. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Haiti) v. Santo André (Escócia)

Santo André é o maior símbolo da Escócia, cuja bandeira ostenta a cruz em forma de X, pelo facto de o apóstolo ter sido crucificado dessa forma.
O Haiti tem devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro desde 1882, quando o povo atribuiu a uma imagem desta invocação de Nossa Senhora o fim de uma pandemia. O país passa agora uma fase muito difícil da sua história, pelo que precisa de todo o socorro que Nossa Senhora puder dar.
6. Nossa Senhora Aparecida (Brasil) v. São Carlos de Foucauld (Marrocos

Nossa Senhora Aparecida é amplamente conhecida, mas sou agora é que percebi que o título completo dela é Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o que faz do Brasil uma de cinco selecções que tem Nossa Senhora da Conceição como padroeira, juntamente com os EUA, Coreia do Sul, RD Congo e Portugal.
Marrocos na verdade não tem um santo padroeiro oficial, que eu conseguisse encontrar, pelo menos, portanto tomei a liberdade de invocar São Charles Foucauld, um ex-soldado francês que se dedicou de corpo e alma a servir o povo no deserto marroquino, até dar a vida.
5. St Nicolau de Flue (Suíça) v. Santo Isaac de Nínive (Qatar)

Hoje temos dois santos pouco comuns. São Nicolau de Flue foi agricultor, depois soldado, depois casou e teve dez filhos. Mas nunca perdeu a vontade de se dedicar a Deus. Com autorização da família tornou-se eremita e chegou a passar 20 anos em que se alimentava exclusivamente da Eucaristia. Nasceu no Século XV na Suíça, e foi nomeado padroeiro em 1947, quando foi canonizado. É também padroeiro da Guarda Suíça.
Santo Isaac de Nínive, ou “o Sírio” era um bispo do Século VII que nasceu no que é hoje o Qatar. Era um grande teólogo e escreveu vários textos sobre a vida ascética. Atualmente, a população cristã do Qatar é quase exclusivamente composta por imigrantes.
4. Nossa Senhora da Conceição (EUA) v. São Brás (Paraguai)

Os Estados Unidos são um de quatro países participantes que têm Nossa Senhora da Conceição como padroeira ou co-padroeira. Os outros são Portugal, obviamente, a Coreia do Sul e a República Democrática do Congo. Esta invocação de Nossa Senhora foi escolhida pelos bispos americanos em 1846 e confirmada no ano seguinte por Pio IX.
No Paraguai o santo mais popular é na verdade Nossa Senhora de Caacupé, mas o padroeiro oficial é São Brás, que terá protegido os primeiros colonos espanhóis num momento de aperto. São Brás, como se sabe, é o padroeiro dos problemas de garganta, portanto ninguém melhor para proteger o pequeno Paraguai contra os sempre sonoros EUA.
Nossa Senhora joga em casa e, por mais que gostemos de gozar com eles, a selecção americana costuma fazer boa figura no mundial.
3. São José (Canadá) v. Elias (Bósnia e Herzegovina)

Embora exista uma antiga devoção a Santa Ana no Canadá, o padroeiro do país é São José, pai de Jesus. A devoção a São José começou entre os primeiros missionários e foi confirmada pelo Papa Gregório XVI em 1834.
Já a Bósnia tem o único santo padroeiro do Antigo Testamento neste Mundial. A razão da escolha é bastante interesssante, e tem a ver com o facto de Elias ser venerado tanto por católicos como por ortodoxos, mas também por muçulmanos. Como se sabe, embora a Bósnia inclua comunidades ortodoxas sérvias e católicas croatas, os que mais se identificam com o país e com a seleção são os muçulmanos, embora a equipa tenha cristãos também.
Neste jogo São José joga em casa, mas o Canadá nunca ganhou um jogo num mundial, portanto Elias parece ter vantagem nas previsões.
2. Santo André Kim (Coreia do Sul) v. São Venceslau (República Checa)

Na verdade, a Coreia tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição! Mas Santo André Kim foi o primeiro padre coreano.
Seguiu a sua vocação apesar de tremendos obstáculos sociais e acabou por ser martirizado.
A República Checa também tem vários padroeiros, mas como não optar por um que tem “Vence” no nome? Pareceu-me óbvio.
1. Guadalupe (México) v. Assunção (África do Sul)

Hoje começamos com a disputa entre Nossa Senhora de Guadalupe, que joga em casa, e Nossa Senhora da Assunção.
A Virgem de Guadalupe é a padroeira do México. A devoção tem por base as aparições ao indígena Juan Diego, em 1531. Mais tarde tornar-se-ia um símbolo da luta pela independência mexicana. A sua imagem terá ficado impressa na capa de Juan Diego.
Do lado contrário estará Nossa Senhora da Assunção, padroeira da África do Sul desde 1952, apenas dois anos depois de ter sido proclamado o Dogma da Assunção. Segundo algumas fontes, a noção de que Nossa Senhora foi para o Céu de corpo e alma reforça a ideia da dignidade ontológica do corpo humano, o que terá sido particularmente profético para um país como a África do Sul em tempos de apartheid.
Perspectivas: Guadalupe joga em casa, por isso tem vantagem. A idade poderia pesar, mas tendo em conta a teoria de que Nossa Senhora, por não ter pecado original, não envelheceu, neste caso torna-se imaterial. O facto de serem duas invocações da mesma pessoa também contribui para nivelar as diferenças.
Excelente ideia!