
Há uma década que a minha geração, a Geração Z, tem ouvido uma variação da mesma mensagem nas cerimónias de graduação na universidade: “vão e mudem o mundo”. Mas nem todos podem mudar o mundo. E talvez valha a pena considerar que nem todos o deveriam fazer. O encargo de mudar o mundo pressupõe uma espécie de cálculo utilitário: tentar maximizar a maior mudança para o maior número de pessoas. Muitos tentarão e, invariavelmente, falharão. Onde é que eles ficam?
Logo depois de terminar a minha própria licenciatura, estava a sair da Missa numa Basílica Jesuíta e reparei num pequeno folheto afixado perto da saída. Por baixo de uma fotografia do então Beato Carlo Acutis estavam as palavras: “Tu também podes tornar-te um santo.” O contraste era impactante. “Podes tornar-te um santo” é radicalmente diferente de “tu também podes resolver os problemas do mundo”. O primeiro é universal e alcançável; o segundo, embora não seja inerentemente errado, não é o propósito da vida nem é realizável para a maioria de nós.
Os santos mudaram, de facto, o mundo, mas primariamente como consequência da sua devoção a Cristo. Viveram a sua fé nos transcendentais da beleza, bondade e verdade – que é uma Pessoa. O chamamento cristão não é para mudar o mundo, mas para lutar pela santidade – e deixar que Deus mude o mundo através de nós. Como declara a Lumen gentium (a Constituição Dogmática sobre a Igreja) do Concílio Vaticano II, a santidade não é exclusivamente para o clero ou para os poucos esforçados: “Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, que é a luz do mundo, de quem procedemos, por quem vivemos e para quem toda a nossa vida tende.”

Santo Ireneu recorda-nos que a Glória de Deus é o homem plenamente vivo. Lutar pela santidade é a essência de viver a vida plenamente. Fazer isto no mundo moderno, contudo, significa inerentemente ir contra a corrente de um rio que não é apenas agnóstico em relação à santidade, mas geralmente oposto ao centramento radical em Deus exigido pelo caminho da santidade.
Dedicar a vida inteiramente a qualquer coisa não é o caminho do mundo de hoje. O mundo clássico compreendia melhor e, talvez, também capacitava o esforço genuíno da alma obsessiva e implacável. Mas o chamamento de Deus para nós, ainda hoje, nunca pretendeu ser outra coisa senão isso. Os santos estão unidos na sua paixão por seguir a vontade de Deus. Foi a partir daí que fluíram as suas ações que mudaram o mundo.
Apesar da hostilidade moderna aos ensinamentos da Igreja, a mensagem da santidade está a encontrar uma nova vida em lugares invulgares, particularmente entre as gerações mais jovens. Em Espanha, por exemplo, vimos recentemente alguns casos de figuras públicas que receberam o chamamento para a santidade – de forma séria e aberta. No ano passado, por exemplo, Pablo Garna, um modelo espanhol e influenciador digital, anunciou a sua decisão de entrar para o seminário, tal como o influenciador do TikTok Juan Manasa. Álvaro Ferraro, que fundou quatro empresas antes de chegar aos 30 anos, deixou a sua vida profissional para trás para seguir o sacerdócio. “O meu único sonho e desejo”, disse ele, “é ser santo”.
Figuras públicas como estas, e o nosso santo “millennial” Carlo Acutis, são precisamente os exemplos necessários para inflamar aspirações contraculturais redentoras numa era de distração e de mediocridade a pedido.
Estes influenciadores culturais são cativantes pela reviravolta radical que causam nas suas vidas mundanas, mas também porque são, muito obviamente, normais. Não são monges silenciosos, a rezar diariamente de forma distante nalguma montanha. Como o Bispo Robert Barron diz frequentemente: “Um santo é uma pessoa que sabe que é pecadora.” Por isso, precisamos de ajudar as pessoas a compreender que os santos, tal como os heróis, não são modelos de perfeição, mas instâncias do esforço humano normal em direção à santidade.

Outra mensagem que ressoa com a minha geração é que os santos são pessoas que acreditaram de todo o coração que os seus pecados não estavam para além da redenção. O conhecimento de que se é profundamente amado por Deus, redimido por Cristo e feito para o Céu é o remédio para as promessas vazias do mundo. Conheci muitos jovens que acreditam ser verdadeiramente indignos de misericórdia. E, por isso, cabe aos católicos comuns tanto ensinar como encarnar a realidade da misericórdia de Cristo, deixando claro que nenhum pecado é suficientemente poderoso para tornar o arrependimento e a busca da santidade inalcançáveis.
De facto, os santos recordam-nos que algumas das histórias mais belas começam e terminam nas ruínas da vida: em prisões, hospitais, desgostos amorosos e na guerra. Foi em Auschwitz, afinal de contas, que S. Maximiliano Kolbe ofereceu a sua vida por outro prisioneiro; e foi enquanto fugia dos Nazis que Dietrich von Hildebrand escreveu algumas das suas reflexões mais prolíficas sobre a beleza e a Igreja.
Cristo escreve uma história bela para todos. Os santos são aqueles que se atrevem a viver essa história e se entregam completamente no amor, livres da preocupação de tentar “assumir o controlo da própria vida” – pois é esse dom que é o sentido da vida.
A mensagem que a minha geração mais precisa de ouvir não é “Vai e muda o mundo”, mas algo simultaneamente mais humilde e mais exigente: “Vai e torna-te santo, e deixa Deus fazer o resto.”
Kristen Ziccarelli é católica e vive e trabalha em Washington, D.C.
(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 28 de Fevereiro de 2026)
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