
[No dia em que fiz esta publicação, e depois de a ter divulgado nas redes sociais, recebi um mail da Lusa a reconhecer que a fotografia lhes foi cedida, que o processo foi cancelado e que estão a rever os procedimentos internos para que a situação não se repita. Não chegaram ao ponto de pedir desculpa, mas pelo menos responderam]
No dia 14 de Janeiro recebi um email da Agência Lusa a dizer-me que estava a usar uma das suas imagens, neste site, sem a devida licença. Deveria, informaram-me, regularizar a situação pagando 184,50 euros. Se pagasse imediatamente beneficiaría de um desconto, pagando apenas 138,38 euros.
Fiquei muito consternado. Não só porque levo a sério a questão da propriedade intelectual – sendo jornalista também sofro com o plágio e o uso indevido e não autorizado dos meus textos e das minhas ideias – mas porque este site é um projecto não-lucrativo, que tem alguns custos, e estar a pagar quase 140 euros pelo erro estúpido de usar uma imagem de forma indevida é doloroso. Ainda por cima eu costumo ter cuidado com estas questões, usando apenas imagens minhas, ou de domínio público, para ilustrar os meus artigos.
Verifiquei então que a mesma imagem aparece em vários locais, incluindo órgãos como a BBC e a CNN, sem ser creditada à Lusa. Informei a Lusa disso, dizendo que não achava justo pagar, mas ignoraram o meu email e na missiva seguinte avisaram-me que estava a terminar o prazo para pagar a fotografia com desconto. Voltei a responder ao email, anexando screenshots da imagem em uso noutros locais, sem creditação, ou identificando a imagem como “handout”, ou seja, como imagem cedida gratuitamente. Mais uma vez, não responderam.
Então decidi contactar a fundação Aga Khan para o Desenvolvimento, informando-os da situação e perguntando se por acaso sabiam de quem são os direitos da fotografia. Simpaticamente confirmaram-me que a fotografia indicada foi tirada por um fotógrafo profissional, a pedido da fundação Aga Khan, e que por isso os direitos pertencem exclusivamente à dita fundação. Mais, autorizaram-me por escrito a usar a dita fotografia.
Ou seja, tudo indica que a Lusa recebeu esta fotografia da parte da Comunidade Ismaíli, gratuitamente, e agora está a tentar cobrar a outros pelo seu uso. Perguntei então à Lusa, por duas vezes, porque razão me estavam a tentar cobrar por uma fotografia cujos direitos não lhe pertencem. Continuo à espera da resposta, pelo que o mistério permanece.
Haverá um nome para quem tenta vender aquilo que não é seu?