
Continuam a violência e os massacres na Nigéria. Num caso recente, homens armados entraram numa vila e mataram pelo menos 160 pessoas. Neste caso, contudo, tanto os assassinos como as vítimas eram muçulmanos. Os habitantes foram massacrados precisamente porque recusaram o islão radical que os jihadistas queriam impor. Já disse várias vezes, e repito, a situação na Nigéria é terrível e triste, há cristãos perseguidos, sim, mas a realidade é tudo menos simples!
Na semana passada tive o privilégio de poder entrevistar o teólogo muçulmano Adnane Mokrani, que é professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Conversámos sobre a relação entre cristianismo e Islão, fundamentalismo e não-violência islâmica. Podem ler aqui uma versão inglesa da entrevista, e espero para a semana poder partilhar uma portuguesa.
Por cá parece que nos vimos finalmente livres das tempestades e depressões. Agora é a hora de contar danos e começar a reconstruir. Só referindo o património religioso, calcula-se que haja 185 edifícios com “danos significativos”.
O Papa Leão XIV, um americano com cidadania peruana, quer “uma nova unidade na Europa, sem tensões nem antagonismos”. Nesta linha, chamo particular atenção para a carta que o Papa escreveu aos padres de Madrid, em que alerta para os perigos que a fé enfrenta numa altura de crescente polarização política. Existe o perigo de a religião ser ignorada e esquecida, diz, mas existe igualmente um perigo grave de instrumentalização do Cristianismo. A carta é para nuestros hermanos, mas seria tremendamente ingénuo pensar que esse risco não se materializou também entre nós. Estejamos atentos.
Tenho pensado muito sobre este momento e este ambiente de polarização em que vivemos. E tenho para mim que um dos grandes problemas é que temos uma grande falta de memória histórica. Por isso não percebemos o alcance e a gravidade de estar a cultivar um ambiente de ódio e antagonismo que pode conduzir a conflito, a guerra. A guerra é uma coisa abstracta para a maioria de nós. E por isso convido-vos, se não fizerem mais nada hoje, a ler esta entrevista do jornalista António Marujo ao director do Museu de Auschwitz. Não é uma entrevista fácil, mas leiam-na.
Estamos em tempo de Jogos Olímpicos de Inverno. Sei que esta competição, por razões óbvias, nos diz pouco, mas talvez queiram conhecer a “Cruz olímpica” que está sempre presente nos Jogos e que tem uma história muito particular.
Muito longe daqui um tribunal em Hong Kong condenou a 20 anos de cadeia o empresário Jimmy Lai. Lai é mais do que um defensor dos direitos humanos e da democracia em Hong Kong, é também um católico fervoroso que estando preso, e com perspectivas muito reais de morrer atrás das grades, faz da evangelização e da oração a sua prioridade diária. Conheçam mais da sua história aqui.
O Papa nomeou o Cardeal suíço Kurt Koch para presidente da fundação Ajuda à Igreja que Sofre Internacional. Na primeira visita à sede, o Cardeal citou Bento XVI e disse que por mais que se ajude os necessitados, “quem não dá Jesus às pessoas dá-lhes pouco”.
E o artigo desta semana do The Catholic Thing é da Mary Eberstadt que conta como a ideia de que “somos donos de nós mesmos” destruiu a nossa sociedade, mas aponta também os sinais de esperança.