
Na obra O Custo do Discipulado (1937), Dietrich Bonhoeffer escreve que Cristo desafiou São Pedro ao “supremo seguimento do martírio pelo Senhor que ele havia negado… perdoando-lhe assim todos os seus pecados. Na vida de Pedro, a graça e o discipulado são inseparáveis.” (p. 49)
Segundo o famoso conceito de Bonhoeffer, tratava-se aqui de um exemplo de “graça cara”, em oposição à “graça barata”. Bonhoeffer, como sabemos, viria a encarnar a primeira. A caminho de ser enforcado pelos nazis no campo de concentração de Flossenbürg em 1945, Bonhoeffer disse a um companheiro de prisão: “Chegou o fim — mas para mim é o começo da Vida!”

Esta é a atitude de todos os verdadeiros mártires quando chega o seu momento.
Bonhoeffer foi enforcado. As mortes dos doze apóstolos originais foram, muitas vezes, mais excruciantes.
Então: como, quando e onde os Doze morreram? E como é que os artistas imaginaram o martírio de cada um?
Para começar, sabemos que aquele que traiu Cristo morreu pelas próprias mãos (cf. Mateus 27:3-5 e Atos 1:18-19). Judas foi um suicida, não um mártir.
Também sabemos que João (cuja solenidade se assinala no dia 27 de dezembro) não foi martirizado. E ele é o único, segundo a tradição, que não foi morto por pregar o Evangelho.
As Escrituras (Actos 12:1-2) dizem que o irmão de João, Tiago, o Maior (25 de julho), foi o primeiro apóstolo-mártir, por volta de 44 d.C., tendo sido “morto à espada”, presumivelmente em Jerusalém. Lucas, autor de Actos, pode ter obtido a história do próprio João, e os factos são corroborados por Ireneu (c. 125-202), que conheceu Policarpo (c. 60-155), que conheceu João, que se acredita ter morrido no final do século I. Lucas diz que foi o Rei Heródes Agripa quem deu a ordem de execução, utilizando o mesmo método que o seu tio Antipas tinha usado para assassinar João Baptista. Diz-se que o corpo de Tiago agora repousa na Catedral de Santiago de Compostela.

A ordem dos martírios subsequentes é amplamente desconhecida, mas todos (exceto João) provavelmente já tinham morrido por volta do ano 80. O que sabemos vem dos primeiros historiadores da Igreja (Eusébio, Tertuliano, o já mencionado Ireneu e Policarpo, e outros, incluindo São Jerónimo), alguns “evangelhos” apócrifos e antigas tradições locais. Muitos destes relatos foram coligidos na Legenda Áurea, por Jacobus de Voragine. As datas aqui indicadas são aproximações, debatíveis e tudo menos certas. Quanto aos locais, simplesmente guiei-me pelos que afirmam ter sido local do martírio. (E incluí em parêntesis, como para João e Tiago, acima, a data da solenidade de cada santo.) Também dou conta de onde se diz que se encontram as relíquias, recordando que as relíquias eram, e ainda são, frequentemente separadas para uso em diferentes altares.
Do ano 60 a 70
André (30 de Novembro) Foi crucificado numa cruz em forma de X, chamada saltire (ou crux decussata) em Patras, Grécia. Foi executado porque tinha convertido muitos gregos, incluindo a esposa do governador pagão. Levou três dias a morrer e nunca deixou de pregar. Diz-se que os seus restos repousam na Catedral de Santo André, em Amalfi.

Bartolomeu [Natanael] (24 de agosto) foi esfolado vivo e decapitado em Albanopolis, Arménia. Daí a macabra associação que fez dele o padroeiro dos curtidores. Mais uma vez, a sua morte foi resultado de ter convertido o governador romano local. Os seus restos mortais estão na Basílica de São Bartolomeu all’Isola, na Ilha do Tiberina, em Roma.

Tiago, o Menor (11 de maio), conhecido na Igreja antiga como “o Justo”, foi defenestrado e depois morto à paulada em Jerusalém. Foi condenado pelo Sinédrio e lançado do pináculo do Templo, mas sobreviveu e começou a rezar pelos que o atacavam. Foi então morto à paulada por um lavadeiro com um pilão. Os seus restos dizem que estão na Basílica dos Santos Apóstolos, em Roma, ou talvez na Catedral de São Tiago, Jerusalém. Talvez estejam em ambos os locais.

Mateus levou a Boa Nova à África do Norte e foi martirizado na Etiópia. Com a sua pregação converteu Efigénia, filha do Rei Égipo. Quando o Rei morreu foi sucedido por Hirtaco. O novo Rei assistiu a uma missa, a convite de Mateus, e depois ordenou a sua decapitação. Depois de converter a filha do rei local, o novo rei ordenou a sua decapitação. Os seus restos mortais estarão na Catedral em Salerno.

Simão, o Zelote & Judas Tadeu (ambos 28 de outubro) evangelizaram juntos e pensa-se que foram martirizados no que é hoje o Irão. Na imagem abaixo vemos Tadeu, de verde, prestes a ser golpeado enquanto Simão está a ser serrado ao meio. Diz-se que as suas relíquias estão debaixo de um altar na Basílica de São Pedro.

Pedro e Paulo morreram depois do ano 60, mas lá chegaremos.
Depois do ano 70
Filipe (3 de maio) viajou e evangelizou com Bartolomeu, embora a dada altura se tenham separado, e Filipe acabou por ser martirizado em Hierápolis, Turquia. Consta que Filipe foi acompanhado por Maria Madalena. A tradição diz que Filipe foi crucificado de cabeça para baixo, talvez a seu próprio pedido, porque sabia que Pedro tinha morrido assim. Pensa-se que as suas relíquias estão com as de Tiago Menor, na Basílica dos Santos Apóstolos.

Matias (14 de maio). Há um marco na Fortaleza de Gonio, na Geórgia, que afirma que Matthias lá foi enterrado, morto por pregar o Evangelho. Quanto à forma como morreu, segundo a pintura de Lochner, levou com uma machadada na cabeça, embora a tradição costume falar de decapitação. Diz-se que as suas relíquias (ou parte delas) foram transportadas para a abadia de São Matias em Trier, na Alemanha. A fortaleza de Gonio fica junto ao Mar Negro, e é costume as relíquias viajarem, portanto…

Tomé (3 de julho) foi martirizado na Índia. No seu caso, como no de muitos outros apóstolos, ou mesmo a maioria, converteu a família do Rei Misdeu (segundo o livro apócrifo dos Actos de São Tomé), que ordenou que ele fosse perfurado com uma lança. Os seus restos mortais podem ter sido divididos em três partes e consta que estejam agora na Basílica de São Tomé em Chennai, na Índia, na Turquia (embora isso possa ter sido só um ponto de passagem) e na Basílica de São Tomás Apóstolo, em Ortona, Itália.

E por fim o martírio de Pedro e Paulo (29 de junho). Celebramos a solenidade destes dois santos no mesmo dia porque há tradição de terem sido martirizados em simultâneo, embora em lugares diferentes de Roma. A cidade do martírio não é discutida: Pedro foi crucificado de cabeça para baixo e Paulo foi decapitado. Segundo São Jerónimo, em Homens Ilustres, Paulo foi morto em Roma no décimo quarto ano do imperador Nero, no mesmo dia de Pedro. Foi decapitado por Cristo e sepultado na Via Ostiense, no vigésimo sétimo ano depois da Paixão do Senhor”. Isso vai dar ao ano 60, embora alguns apontem 64. Os seus restos mortais repousam nas igrejas que têm os seus nomes: a Basílica de São Pedro e a Basílica de São Paulo Fora de Muros.

Não é surpresa que a tradição seja mais forte em relação a estes dois grandes apóstolos, que foram líderes da Igreja Primitiva e levaram a fé ao seu lar duradouro. Torna-se redundante referir as razões da sua morte, bastando dizer que: realmente, o custo do discipulado pode ser elevado!

Brad Miner, marido e pai, é editor sénior da The Catholic Thing e membro sénior do Faith & Reason Institute. É ex-editor literário da National Review e teve uma longa carreira na indústria editorial. O seu livro mais recente é Sons of St. Patrick, escrito em coautoria com George J. Marlin. O seu best-seller The Compleat Gentleman está agora disponível na terceira edição revista e também em versão áudio da Audible (lida por Bob Souer). O Sr. Miner foi membro do conselho da Aid to the Church In Need USA e também do conselho de recrutamento do Selective Service System no condado de Westchester, Nova Iorque.
(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 10 de Janeiro de 2026)
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