NOTA: Com a condenação canónica de Albino Meireles, em Maio de 2026, fechou-se este ciclo. Salvo o surgimento de alguma informação inesperada, todos os casos criados pelas listas da Comissão Independente, estão já fechados. Escrevi sobre isso em detalhe aqui.
Neste post colocarei todos os dados sobre as duas listas de alegados abusadores elaboradas pela Comissão Independente. A primeira diz respeito à CEP e a segunda foi entregue à Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP). Aqui serão tratadas as duas listas em conjunto.
Todas as 21 dioceses, e a CIRP, já revelaram informação sobre as listas. Entre parênteses está o número de alegados abusadores na lista de cada uma e no final encontram um gráfico que irei actualizando à medida que surgir mais informação.
Dioceses
- Algarve (2)
- Angra (2)
- Aveiro (3)
- Beja (5)
- Braga (8)
- Bragança-Miranda (2)
- Coimbra (7)
- Évora (2)
- Forças Armadas (0)
- Funchal (4)
- Guarda (2)
- Lamego (3)
- Leiria-Fátima (5)
- Lisboa (24)
- Portalegre Castelo Branco (2)
- Porto (12)
- Santarém (0)
- Setúbal (4)
- Viana do Castelo (2)
- Vila Real (3)
- Viseu (5)
Institutos Religiosos
- Maristas (2)
- Reparadoras de N. S. Fátima (1)
- Missionárias da Consolata (1)
- Capuchinhos (1)
- Franciscanos (3)
- Hospitaleiros de S. J. Deus (1)
- Jesuítas (4)
- Religiosas do Coração de Maria (1)
- Dehonianos (1)
- Salesianos (2)
Total 114
Deste total, tendo por base a informação veiculada pelas dioceses/institutos e, nalguns casos, cruzada com informação que já era pública ou do meu conhecimento:
- 45 já morreram (um é leigo)
- 15 padres ou religiosos foram preventivamente afastados do ministério, enquanto os seus casos foram investigados. Todos esses casos já foram entretanto tratados. (Entretanto foi levantada a suspensão provisória de 4 padres de Lisboa, 1 da Guarda, 1 de Vila Real, 3 do Porto, 1 capuchinho, 2 de Angra e 1 de Évora. O padre de Vila Real foi inicialmente referido como sendo da diocese de Setúbal, mas a Santa Sé determinou que o processo decorreria em Vila Real. O padre de Viseu foi condenado a suspensão do ministério pelo período de três anos e o padre de Braga foi demitido do estado clerical)
- 8 ninguém sabe quem são
- 14 já não desempenham cargos (pode ser por serem idosos/reformados, ou por terem abandonado ou sido expulsos do estado clerical, mas não só. Este número incluía um padre de Setúbal que, estando sem cargo por ser reformado foi ainda assim condenado a uma sanção e passou por isso a ser contabilizado na lista dos já tratados canonicamente. Neste número estava ainda incluído o caso do Pe José Cruz, do Patriarcado de Lisboa, que na altura das listas seria um dos que foi listado como estando doente. Entretanto o referido padre foi sujeitado a uma investigação prévia que resultou no impedimento de celebrar publicamente, pelo que na tabela abaixo passou a constar entre aqueles cujo processo canónico foi já tratado. Nesta lista estava também o padre Frederico, da diocese do Funchal. Apesar de o seu caso, condenação civil e eventual fuga para o Brasil terem sido muito mediáticos, o seu processo canónico nunca tinha sido efetuado. Acabou por ser dispensado do sacerdócio pelo Papa Francisco, a pedido da Diocese do Funchal, na sequência do trabalho da Comissão Independente. Também inclui o “agente pastoral” da Arquidiocese de Braga, que entretanto foi identificado como sendo um antigo padre que pediu dispensa do sacerdócio há vários anos)
- 43 religiosos já tratados civil e/ou canonicamente (1 do Algarve que foi arquivado; 1 de Aveiro que foi arquivado; 3 de Braga, incluindo um que foi julgado e absolvido, outro que foi condenado e cumpre pena de medidas disciplinares e outro, que chegou a estar preventivamente afastado, mas foi condenado nas instâncias civis, e canónicas e demitido do estado clerical; 1 de Bragança que foi condenado e tem medidas disciplinares em vigor; 2 de Coimbra, incluindo um cujo processo foi arquivado civil e canonicamente e outro sobre quem as acusações afinal não constituíam abuso de menores e cujo processo, por isso, nem sequer avançou; 1 da Guarda, que teve o seu caso arquivado; 3 de Lamego que tiveram os seus processos arquivados; 6 de Lisboa, incluindo um que já tinha sido tratado antes de ser divulgada a lista, outros 4 que estiveram preventivamente afastados, tendo os seus processos sido arquivados e por isso foram reintegrados no ministério e 1 que estava inicialmente listado como estando sem cargo por estar gravemente doente quando saíram as listas, mas que entretanto foi sujeitado a investigação prévia que resultou numa proibição de celebrar publicamente; 4 de Setúbal, incluindo um cujo processo já tinha decorrido antes da publicação da lista, outro sobre quem as alegações afinal não constituíam matéria para avançar com qualquer processo, um terceiro que teve o seu caso arquivado pela Santa Sé e um quarto que foi indicado inicialmente como não desempenhando cargo, por estar reformado, mas que foi entretanto condenado a uma sanção e por isso está contabilizado nesta lista; 3 de Vila Real, incluindo dois que resultaram em condenações, tendo um sido suspenso, mas estando já de volta ao activo depois de ter cumprido a pena, e estando em processo de transferência para uma ordem religiosa, outro que foi dispensado do ministério, e ainda um terceiro caso que foi arquivado; 5 de Viseu, sendo que um foi condenado a três anos de suspensão do ministério, mas quanto aos outros quatro não se sabe o resultado do processo, 7 do Porto, dos quais três tinham sido provisoriamente afastados e quatro não, todos viram os seus casos arquivados, 1 irmã Reparadora de Nossa Senhora de Fátima cujo processo formal não foi sequer aberto, 1 Capuchinho, cujo caso foi arquivado, 2 de Angra, cujos processos foram arquivados e 1 de Évora, cujo processo foi arquivado). Em Fevereiro de 2024 soube-se que o padre Frederico, do Funchal, tinha sido demitido do estado clerical pelo Papa Francisco. O padre Frederico estava na lista do Funchal, mas na altura foi referido como estando sem cargo. Por essa razão na tabela abaixo continua contabilizado nessa coluna, e não na coluna dos que tiveram o seu caso resolvido civil ou canonicamente.
- 4 são leigos (1 Lisboa, 2 Leiria-Fátima, sendo que um destes poderá já ter morrido e o outro ou foi absolvido ou viu o processo arquivado, 1 das Religiosas do Coração de Maria. Beja também reportou um leigo, mas que está contabilizado com os mortos)
